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Melhoramento Genético de Gado Leiteiro: quais as ferramentas disponíveis e como usá-las

03.02.2016 Notícias

A seleção para características desejáveis tem sido praticada em bovinos desde sua domesticação, ocorrida há, aproximadamente, 7.500 a 10.000 anos. Até o início do século passado, entretanto, tal seleção era feita com base na avaliação visual. A partir de 1930, começaram a serem estabelecidos os métodos científicos, estatísticos e computacionais para avaliação genética de animais domésticos. Dessa forma, o melhoramento tradicional, tem assegurado ganho genético contínuo na maioria das características de interesse econômico na pecuária de leite.

Comparados às outras espécies de animais domésticos, os bovinos, em especial os explorados para produção de leite, apresentam algumas particularidades em termos do valor de cada animal, do longo intervalo de gerações e da limitada fertilidade das fêmeas. Desse modo, os programas de melhoramento de gado de leite são baseados na seleção dentro de populações comerciais ou nos cruzamentos entre animais de duas ou mais raças. Na maioria dos países europeus, nos Estados Unidos e no Canadá, tais programas são baseados em teste de progênie, delineamento mais apropriado para grandes e médias populações, o qual objetiva predizer, com alta confiabilidade, a contribuição genética média de um reprodutor para a futura progênie (PTA). Torna-se importante, então, saber interpretar e usar adequadamente a PTA e a confiabilidade associada à ela.

Por ser um país de dimensões continentais, o Brasil apresenta uma enorme variação de clima e de manejo nos rebanhos leiteiros. Assim, sistemas produtivos em que se utilizam raças européias especializadas, com a Holandesa, a Jersey ou a Suiça-Parda, podem apresentar bom desempenho zootécnico e econômico em determinadas regiões, mas os animais são mais exigentes em manejo, principalmente no que se refere à alimentação e sanidade. Assim, a adoção de uma estratégia de cruzamento entre animais de raças européias e zebuinas pode ser interessante, tendo como finalidade reunir em um só animal as características desejáveis de duas ou mais raças, como a rusticidade dos animais das raças zebuinas, como a Gir Leiteiro e a Guzerá, e o potencial produtivo das raças européias.

É importante dizer que, nas duas últimas décadas, as pesquisas em melhoramento genético têm sido direcionadas também no sentido de incorporar as informações de marcadores de DNA que estejam associados às características de importância econômica, ao processo de seleção, o qual é chamado seleção genômica. A inclusão de marcadores ao processo de seleção pode duplicar os ganhos genéticos e diminuir os custos de testes de progênie tradicionais em até 92%.

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